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ENTREVISTAS



Entrevista do escritor Gustavo Dourado à jornalista Ludmila Ilário

01 - O que te levou a sair da Bahia e vir para Brasília?
GD - Foram muitos fatores. Destino. Carências, Necessidades. Busca de novas oportunidades. Aventura. Desejo de estudar mais. Inovação e caráter pioneiro de Brasília. Desafios...Tanta coisa...Sonhos, quimeras...
02 - Qual assunto o senhor mais gosta de abordar em suas poesias?
GD - Gosto de tudo. Todos os assuntos e estilos. Sempro primo pela crítica social e os questionamentos ao sistema estabelecido e ao status quo. Falo do dia-a-dia, do cotidiário, da realidade da vida, mas não deixo de sonhar. nunca...
03 - Como surgiu seu interesse pela Literatura de Cordel?
GD - Está no sangue, na raiz de minha criação, nas origens familiares, na formação cultural sertaneja. O interesse veio em minha prima infância no contato com os cordelistas, cantadores repentistas, improvisadores, vaqueiros, aboiadores, emboladores, mamulengueiros, trabalhadores rurais e todos os tipos de sertanejos realcionados à poesia e à cultura popular. Não posso esquecer do rádio e da forte cultura oral do Sertão, da Caatinga, do Nordeste Brasileiro. A leitura também foi fundamental. Sempre li de tudo, desde menino. Almanaques, folhetos, revistas, jornais, livros diversos, catecismos, dicionários, enciclopédias, quadrinhos, romances, textos diversos, a Bíblia...e muito cordel...
04 - Por conhecer tão bem a Literatura de Cordel, existe alguma diferença entre o Cordel do Nordeste e o daqui de Brasília?
GD - Sim.. As diferenças são mais de inspiração/transpiração e de pesquisa/conhecimento. Algumas características se impõem em Brasília, devido à arquitetura e à influência do Modernismo, da arte concreta, das novidades artísticas e a marcante confluência da política. No Sertão tudo é mais espontâneo e natural. Há aqui uma forte presença dos meus irmãos nordestinos. Brasília é uma cidade cosmopoilta. Capital do Brasil...Caldeirão cultural...
05 - Escritor, Poeta e Ex-presidente do Sindicato dos Escritores do Distrito Federal. A literatura é uma profissão ou hobby?
GD - Para mim é uma profissão muito importante, mas não deixa de ser um devaneio.... Apesar de não auferir lucro com o meu trabalho cultural. Nunca pensei em ganhar dinheiro com a literatura. Sei das dificuldades e das barreiras que nos são impostas pelo Sistema e pelo mercado editorial dos best-sellers, do livro didático, do marketing, do merchandising, da propaganda, da imprensa e dos interesses mercadológicos. Lê-se pouco no Brasil e há muito modismo imposto pela mídia, pela Academia e pela escolas. O analfabetismo perdura e e a falta de leitura é uma hecatombe. Pensar dói...
06 - O senhor acredita que o artista popular em geral pode sobreviver da arte que desenvolve?
GD – No Brasil, é muito difícil. São poucos os artistas populares que sobrevivem ao massacre cultural das elites. Escritores, poetas, quase nunca têm apoio. E os que têm algum apoio geralmente se submetem e descaracterizam a sua arte para conquistar uma fama efêmera e supérlua. Prefiro ser o que sou. Nenhuma "editora" quer publicar cordel. Não tenho ilusões editoriais ou mercadológicas. Eu mesmo me edito e repasso tudo gratuitamente via Internet. É o que posso fazer...
07 - O senhor é conhecido por "Armagedom", o que significa esse pseudônimo?
GD - "Armagedom" é a Batalha Final". É o nome de um vale na Palestina e em Israel. No meu caso o pseudônimo é "Amargedom" que é uma variação do termo apocalítico; Em vez de guerra, o amor...o dom de amar...Amar já é dom. Há uma transposição literal. É Cabala pura...Poesia de revelação...Cosmicordel...
08 - O que você sugere para os novos jornalistas?
GD - Que estudem muito e pesquisem sempre e que sejam éticos e sinceros. Que sejam críticos e investigativos. Que não se deixem levar pela moda e pela Indústria Cultural.Que valorizem a arte e a cultura brasileira de qualidade, acima de tudo...

 

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