| 01
- O que te levou a sair da Bahia e vir para Brasília? |
| GD - Foram muitos fatores.
Destino. Carências, Necessidades. Busca de novas oportunidades.
Aventura. Desejo de estudar mais. Inovação e caráter pioneiro
de Brasília. Desafios...Tanta coisa...Sonhos, quimeras... |
| 02
- Qual assunto o senhor mais gosta de abordar em suas poesias? |
| GD - Gosto de tudo.
Todos os assuntos e estilos. Sempro primo pela crítica social
e os questionamentos ao sistema estabelecido e ao status quo.
Falo do dia-a-dia, do cotidiário, da realidade da vida, mas
não deixo de sonhar. nunca... |
| 03
- Como surgiu seu interesse pela Literatura de Cordel? |
| GD - Está no sangue,
na raiz de minha criação, nas origens familiares, na formação
cultural sertaneja. O interesse veio em minha prima infância
no contato com os cordelistas, cantadores repentistas, improvisadores,
vaqueiros, aboiadores, emboladores, mamulengueiros, trabalhadores
rurais e todos os tipos de sertanejos realcionados à poesia
e à cultura popular. Não posso esquecer do rádio e da forte
cultura oral do Sertão, da Caatinga, do Nordeste Brasileiro.
A leitura também foi fundamental. Sempre li de tudo, desde
menino. Almanaques, folhetos, revistas, jornais, livros diversos,
catecismos, dicionários, enciclopédias, quadrinhos, romances,
textos diversos, a Bíblia...e muito cordel... |
| 04
- Por conhecer tão bem a Literatura de Cordel, existe alguma
diferença entre o Cordel do Nordeste e o daqui de Brasília?
|
| GD - Sim.. As diferenças
são mais de inspiração/transpiração e de pesquisa/conhecimento.
Algumas características se impõem em Brasília, devido à arquitetura
e à influência do Modernismo, da arte concreta, das novidades
artísticas e a marcante confluência da política. No Sertão
tudo é mais espontâneo e natural. Há aqui uma forte presença
dos meus irmãos nordestinos. Brasília é uma cidade cosmopoilta.
Capital do Brasil...Caldeirão cultural... |
| 05
- Escritor, Poeta e Ex-presidente do Sindicato dos Escritores
do Distrito Federal. A literatura é uma profissão ou hobby?
|
| GD - Para mim é uma
profissão muito importante, mas não deixa de ser um devaneio....
Apesar de não auferir lucro com o meu trabalho cultural. Nunca
pensei em ganhar dinheiro com a literatura. Sei das dificuldades
e das barreiras que nos são impostas pelo Sistema e pelo mercado
editorial dos best-sellers, do livro didático, do marketing,
do merchandising, da propaganda, da imprensa e dos interesses
mercadológicos. Lê-se pouco no Brasil e há muito modismo imposto
pela mídia, pela Academia e pela escolas. O analfabetismo
perdura e e a falta de leitura é uma hecatombe. Pensar dói...
|
| 06 - O senhor acredita
que o artista popular em geral pode sobreviver da arte que
desenvolve? |
| GD – No Brasil, é muito
difícil. São poucos os artistas populares que sobrevivem ao
massacre cultural das elites. Escritores, poetas, quase nunca
têm apoio. E os que têm algum apoio geralmente se submetem
e descaracterizam a sua arte para conquistar uma fama efêmera
e supérlua. Prefiro ser o que sou. Nenhuma "editora" quer
publicar cordel. Não tenho ilusões editoriais ou mercadológicas.
Eu mesmo me edito e repasso tudo gratuitamente via Internet.
É o que posso fazer... |
| 07 - O senhor é conhecido
por "Armagedom", o que significa esse pseudônimo? |
| GD - "Armagedom" é a
Batalha Final". É o nome de um vale na Palestina e em Israel.
No meu caso o pseudônimo é "Amargedom" que é uma variação
do termo apocalítico; Em vez de guerra, o amor...o dom de
amar...Amar já é dom. Há uma transposição literal. É Cabala
pura...Poesia de revelação...Cosmicordel... |
| 08 - O que você sugere
para os novos jornalistas? |
| GD - Que estudem muito
e pesquisem sempre e que sejam éticos e sinceros. Que sejam
críticos e investigativos. Que não se deixem levar pela moda
e pela Indústria Cultural.Que valorizem a arte e a cultura
brasileira de qualidade, acima de tudo... |